Corredores, Uma Abordagem Funcional


Por Prof Felipe Macena
CREF 3351 G-BA
Sócio Fundador

Olá pessoal, após nosso artigo sobre Liberar, Ativar, Fortalecer. Três pilares da nossa Filosofia, recebi diversos emails com dúvidas e questionamentos e outros de incentivo para darmos continuidade ao assunto corrida.
Então decidi começar uma séria de artigos para mostrar que correr melhor e mais eficiente precisamos bem mais que um bom calçado e planilhas com termos Fartlek, Longão, Regenerativo. Apesar de já existir estudos defendendo a prática de corrida com barefooted (com pés descalços).

Falando nisso, qual a primeira “preocupação” quando se quer iniciar a prática regular de corrida de rua (ou na esteira também)?, saber o tipo de pisada (pronada, supinada, neutra …) e para que? Para comprar um tênis que possa “suprir” a minha deficiência! *

Assistindo uma palestra do Gray Cook ele falava que tinha um corredor adolescente em uma High School Americana que era o destaque, promessa, batia todos os recordes, mas sempre se lesionava na região pubiana. Ai o seu treinador aplicava injeções de anti-inflamatórios, o moleque melhorava, competia e a lesão voltava, o ciclo se repetia. Sabe o que o adolescente tinha? Uma limitação de 10º (dez graus) na sua dorsiflexão, e isso NÃO é corrigido simplesmente comprando um calçado para seu tipo de pisada.
Existe uma série de outros parâmetros que podem fazer você sentir dor ou lesionar, e que não tem nada haver com seu pé ou tipo de pisada, tais como erros de treinamento, flexibilidade, desequilíbrios musculares, mobilidade. Se um atleta tem tudo normal nos MMII (membros inferiores), mas não tem uma boa estabilidade no tronco, não vai ser o tênis que vai mudar isso, nada contra os tênis estou apenas fazendo uma relação. Temos sim é que saber se esta pisada esta sendo uma consequência de um desarranjo no resto do corpo o o inverso.

Neste momento entra a parte Funcional do Treinamento, somos “obrigados” a identificar desequilíbrios, falta de mobilidade ou de estabilidade e limitações. Começando pelo tornozelo uma ótima dica é o Deep Squat (agachamento profundo), o primeiro teste do sistema FMS de Gray Cook, que tem por finalidade analisar a postura bilateral, simetria do quadril, e uma ótima dorsiflexão a fim de manter os calcanhares no solo sem o auxílio de um calço. Em se identificando falta de mobilidade no tornozelo, alguns procedimentos podes ser adotados, desde liberação miofacial da parte posterior da cadeia muscular dos MMII até exercícios educativos/corretivos.

O Teste:

(Imagem ilustrativa, não mostra o melhor escore do teste)

Sugestão de Exercícios:
Linear Ankle Mobility

Yoga Push Up

Subindo um pouco podemos usar também como referência mais um “exercício” do sistema FMS do Gray Cook chamado Hurdle Step, para justificar esta escolha vamos entender o motivo. Qual o movimento principal da corrida?
1- Dorsiflexão;
2- Flexão do Joelho;
3- Flexão do Quadril;
4- Extensão do Quadril;
5- Extensão do Joelho;
Pensando um pouco no movimento global vemos que a bilateralidade unipodal (1 pé só) acontece sempre, ou seja, nosso joelho deve ter estabilidade caso contrário vamos cair. E olhando para o quadril percebemos que a mobilidade entre a cabeça do fêmur e o acetábulo (articulação do quadril) deve ser ótima, caso contrário vamos compensar o movimento executando um desarranjo no equilíbrio do mesmo, conforme imagem ao lado. No número 1 vemos um quadril saudável, alinhado, a ação do glúteo médio impede o desequilíbrio, já no número 2 esta ação já não ocorre.
A capacidade de realizar o teste, requer tanto a estabilidade do joelho da perna de apoio e quadril, bem como a extensão da cadeia cinética fechada do quadril. Exige também um equilíbrio na postura unilateral, bem característico a um corredor.

O Teste:

(Imagem ilustrativa, não mostra o melhor escore do teste)

Sugestão de Exercício:
Flexion Lunge

Bridge RNT Single Leg with Valgus Correction

O importante é tornar estes exercícios uma rotina, assim como são as do dia-a-dia nos treino de corrida, lembramos ainda que a gama de exercícios são quase infinitas, mostramos apenas dois de cada para melhor ilustrar nosso artigo. Fiquem a vontade para nos enviar comentários através do botão abaixo do artigo. Aos utilizadores do Facebook se possível compartilhe este artigo com seus amigos e parceiros de treinamento.
* Lembre sempre de visitar um profissional da área médica afim de realizar testes de esforço, pelo menos sub-máximo.

Siga-nos no Facebook

Bons treinos e swing sempre.

Mais informação sobre o FMS


Sobre admin

Centro de Treinamento Físico Semeare. Fundado em 2004 somos um centro de atividade voltado ao movimento. Treinamento Integrado, Kettlebell Training, Avaliação Funcional do Movimento. Treine diferente, mas treine com qualidade. Salvador-BA

Deixe um comentário